Conheça a Sol Puri

Mulher, indígena, professora

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Olá, eu sou a Sol Puri (Soraia Feliciana Merces). Se você está me conhecendo agora, muito prazer e obrigada por me ouvir e por fazer parte do movimento que estamos construindo por aqui.

Sou uma Mulher Indígena que faz da luta e do posicionamento firme a sua marca.

Como educadora, artesã e ativista, trago para a minha candidatura a defesa das águas, da alimentação sem veneno e da moradia digna para todos. Faço reivindicações pela inclusão e dignidade, sem discriminação de pertencimento étnico, social ou de orientação/expressão de gênero.
No movimento indígena, atuo em ações de resgate da cultura Puri junto aos seus movimentos organizados. Participo também com parentes de outros povos na luta pelo reconhecimento da presença do indígena no meio urbano.

Trabalho na Diretoria de Políticas para Igualdade Racial da Prefeitura de BH, onde atuei no Programa Espaço da Cidadania, no Comitê de Equidade de Gênero da PBH e como membro titular do Fórum Permanente de Educação do município, cuja finalidade é acompanhar a consecução das metas previstas no Plano Municipal de Educação.

Durante essa semana, compartilharei mais conteúdos sobre a minha história e minha proposta para fazer BH Sorrir! Acompanhe nosso trabalho aqui e participe desse projeto que está sendo construído coletivamente. Bora somar com a gente?

Nossas Pautas

O que queremos para nossa cidade

Educação

Acesso a educação de qualidade para todes. Uma educação não mercantilizada para além dos muros da escola, que valorize a pluralidade de saberes e seja construtiva para formação e atuação cidadã.

Meio Ambiente

A cidade é o nosso meio ambiente, precisamos voltar a enxergar esse território desse modo. Priorizando o saneamento básico para todes, discutindo a revitalização dos rios subterrâneos da cidade, para também evitar as enchentes. Assim como a valorização de toda natureza que há na cidade, como a ampliação e revitalização dos parques e praças e pelo fim da mineração em Belo Horizonte.

Diversidade

Nossa cidade possui aproximadamente 10.000 indígenas, que não possuem representação na câmera dos vereadores, nem na maioria doa espaços institucionais. Me coloco para representar as pautas dos parentes nesse espaço, caminhando junto com os demais povos e corpos diversos da cidade de Belo Horizonte. Basta de nossas leis serem escritas pelo mesmo padrão de pessoas. É necessário criar a representação que queremos para construirmos juntes a cidade que queremos.

Inclusão Social

Só existe igualdade de direitos quando há igualdade de acesso. Nossa cidade tem muito a melhorar quando tratamos de inclusão, precisamos colocar em prática estratégias para incluir de fato grupos que foram historicamente excluídos do processo de socialização. Como a criação do Centro de Referência Indígena de Belo Horizonte.

Participe

Vamos caminhar juntos?

Acompanhe

vem com a gente fazer BH sorrir

Vozes Indígenas

Povo Puri

Violência simbólica contra os saberes tradicionais

Violência simbólica contra os saberes tradicionais

Rapé: conhecimento tradicional indígena!

Rapé: conhecimento tradicional indígena!

Belo Horizonte e seus habitantes indígenas

Belo Horizonte e seus habitantes indígenas

Terra, água e sementes: cultivar é resistência

Terra, água e sementes: cultivar é resistência

O Povo Puri

Resistência

povo puri

Os Puri são um povo originário pertencente ao tronco linguístico Macrô-Jê, do qual fazem parte também os Jê, Kamakã, Maxakalí, Krenák, Pataxó, Karirí, Yatê, Karajá, Ofayé, Boróro, Guató e Rikbáktsa. Sua ocupação originária corresponde hoje a terras encontradas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, no Vale do Paraíba, bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul e seus afluentes, e parte da bacia hidrográfica do Rio Doce, o que incluí seu alto curso e a região do Rio Manhuaçu.

Os primeiros registros dos Puri pelo europeu aconteceram na segunda metade do século XVI, quando diversos naturalistas e exploradores avançavam para o interior. No séc. XVIII, a população Puri foi estimada em mais de 5.000 pessoas. A partir do fim deste séc. e início do XIX, com avanço exploratório em direção às áreas dos sertões do Vale do Paraíba, visando o domínio das terras agricultáveis e dos minérios, houve uma expansão cada vez maior sobre os territórios ancestrais Puri e dos outros povos que habitavam a região, o que obrigou tais povos a adotar estratégias de resistência, que envolviam tanto a fuga quanto a luta. Porém, neste cenário de embate absolutamente desigual, as nações originárias verteram seu sangue e tiveram suas terras roubadas.

 

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Documentos primários e relatos de viajantes no século XIX, citam fracassos das tentativas de aldeamento dos Puri, por motivo de sucessivas fugas, ou morte da maioria deles em poucos anos, e descrevem os Puri como “nômades por excelência”, e por isso avessos à vida sedentária no padrão dos aldeamentos. Os aldeamentos criados objetivavam a “civilização” dos indígenas, através da proibição das práticas espirituais, imposição da fé cristã e miscigenação forçada para posterior reclassificação como caboclos e aculturados; o que justificaria a dispensação de garantias por lei de seus direitos sobre terras.

Matrimônios entre indígenas e brancos foi uma prática fomentada pela política Pombalina, viabilizando a posse do não-indígena sobre os territórios indígenas. A mestiçagem tinha ainda um objetivo de cunho comercial: através da escravização de mulheres indígenas, que eram obrigadas a dar à luz a filhos de negros escravizados, produzindo os chamados ‘negros da terra’ ou ‘negros puri’, prática essa que tinha o fito de baratear a mão-de-obra escrava, assim como também burlar a proibição do tráfico ultramarino de escravos. Esses processos visavam a invisibilidade da identidade indígena, transformando-os em pardos, mestiços, caboclos, e justificando assim a expropriação de suas terras, já que a identidade indígena se faz de forma indissociável da identificação com um território.

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No entanto, apesar de todos os esforços no sentido de assegurar o extermínio dos Puri, seguem resistindo, e cada vez mais têm reivindicado sua identidade, autonomia e autodeterminação. No último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, foram registrados 675 puris. Sendo 335 autodeclarados em Minas Gerais, 169 no Rio de Janeiro, 113 no Espírito Santo e 24 em São Paulo. Em um levantamento mais recente realizado neste ano de 2020 para a ONU, pode revelar de forma mais detalhada que a presença Puri em todas as regiões brasileiras, sendo identificados nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Acre, Amazonas, Roraima, Pernambuco e até mesmo no Exterior (Canadá).

Assim, apesar de todas as tentativas de extermínio, os Puri resistiram e seguem re-existindo!